Entre 2023 e 2024, o aumento foi de 8,8%, segundo o Ministério do Trabalho. O índice positivo é um reflexo de mudanças em alguns setores do mercado de trabalho, que passaram a enxergar estas pessoas como um exemplo de comprometimento e responsabilidade. No entanto, o preconceito ainda é um desafio para esse grupo.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_d975fad146a14bbfad9e763717b09688/internal_photos/bs/2025/g/P/kjxPQPRY6M97SxlODHag/senior-3336451-1280-1-.jpg)
O número de contratações de profissionais com mais de 50 anos cresceu de 2023 para 2024. O índice positivo é um reflexo de mudanças em alguns setores do mercado de trabalho, que passaram a enxergar estas pessoas como um exemplo de comprometimento e responsabilidade. No entanto, o preconceito ainda é um desafio para esse grupo.
Iniciativas de empresas e órgãos públicos para contratar pessoas com 50 anos ou mais têm refletido no aumento expressivo da criação de empregos formais. As vagas preenchidas entre pessoas dessa faixa etária cresceram três vezes mais no ano passado, em comparação com o restante da população.
De 2023 para 2024, o número de trabalhos formais para pessoas com mais de 50 anos de idade cresceu 8,8%, com quase 700 mil novos postos de trabalho. Enquanto isso, as vagas para profissionais de até 49 anos subiram 2,9%, com mais de um milhão de contratações. Os dados são da Relação Anual de Informações Sociais do Ministério do Trabalho e Emprego.
Daniela Diniz, diretora de conteúdo e relações institucionais nas empresas Great Place to Work Brasil e Great People, revela constatar esse movimento. Segundo ela, as pesquisas vêm atestando as mudanças do mercado de trabalho para os profissionais 50+.
“A gente está no mercado avaliando empresas já há praticamente três décadas e, lá atrás, quando a gente entrava nesse corte de 50 anos era algo que nem trazia um reflexo nas nossas pesquisas e nos nossos estudos. E hoje a gente enxerga o movimento de empresas que estão olhando mais para esses profissionais ou simplesmente tirando os rótulos do passado. Não estão olhando tanto para a idade”.
As ações de empresas privadas e do poder público contribuem para o avanço desse movimento de inserção de profissionais mais experientes. Sétimo maior varejista do país, o Grupo Pereira promove pelo terceiro ano consecutivo uma semana exclusiva de contratação de pessoas 50+, em sete estados. Ao todo, a empresa tem duas mil vagas disponíveis para diferentes perfis.
No setor público, a prefeitura do Rio de Janeiro criou o programa “Empregabilidade”, uma iniciativa importante para combater o etarismo no mercado de trabalho. O projeto surgiu de uma adaptação de exemplos observados em outros países que, além de empregar os profissionais, também identificou a necessidade de requalificação para eles.
Felipe Michel, titular da Secretaria Municipal do Envelhecimento Saudável e Qualidade de Vida do Rio, cita outra perspectiva relevante do programa:
“A partir do momento que a pessoa idosa volta para o mercado de trabalho, esse rendimento dela automaticamente aquece a economia, até porque são mais responsáveis, sabem o que eles querem da vida, que é trabalhar, levar o sustento para dentro de casa. E isso é fundamental a gente trazer de volta. Aqueles que têm responsabilidade, aqueles que cada vez mais querem de volta não só a sua autoestima, mas o seu direito de comprar, o seu direito de participar na economia da própria casa e onde quer que seja”.
Vanda Costa, de 59 anos, trabalha a quase quatro anos como técnica em carnes em uma rede de supermercados de Mato Grosso do Sul. Esse é o primeiro emprego com carteira assinada que ela teve. Ela explicou que por anos trabalhou em um negócio próprio de vendas de carnes, mas sem nenhum registro. Essa pequena vendinha acabou não prosperando e Vanda ficou totalmente dependente do marido por anos. Quando o casamento de 21 anos acabou, ela se viu sem nenhuma renda e com zero esperança de conseguir um emprego:
“Eu achava que não tinha emprego pra minha idade, porque eu vivia totalmente fora da realidade, vivia dentro de uma redoma, sabe, que não sabia o que acontecia lá fora”.
Agora, Vanda conta como o emprego transformou a vida dela.
“Durante o tempo no qual eu era casada, nunca tive a oportunidade de viajar. Através do emprego consegui colocar as minhas contas em dia. Abriu mais a minha mente. A gente trabalha com colegas com menos idade. A situação que poderia ser de estar em casa, com depressão, mudou tudo”.
Apesar dos números positivos e do combate ao etarismo, ainda há preconceito contra profissionais mais experientes. Mórris Litvak, CEO da Maturi, uma consultoria focada na contratação de pessoas 50+, afirma que ainda há muito esteriótipo relacionado a este grupo.
“É justamente o preconceito, ou até uma ignorância, porque é uma coisa ainda muito forte na nossa cultura, especialmente no mercado de trabalho, o foco nos jovens, e que muitas vezes é inconsciente até, em função desses mistos estereótipos, onde o gestor pensa, meio que automaticamente, que os mais velhos não são conectados, não sabem mexer com tecnologia, não são atualizados, ou que são muito caros, ou que são lentos, não são abertos à mudança”.
Litvak defende que para continuar integrando profissionais mais experientes ao mercado de trabalho é necessária a criação de políticas públicas que incentivem as empresas a aumentar a contração de pessoas 50+, como cotas e incentivos fiscais.